Wednesday, May 16, 2007

Doem-me as costas

É verdade, penso que contraí uma luxação na zona intercostal lombar, enquanto fazia exercício de preparação física, na vã tentativa de recuperar a minha forma do ano passado, anterior à sessão massiva de estudo pré-exames. Ainda sinto os 4 ou 5 quilinhos a mais que ganhei nessa altura...
É por isso que não percebo o porquê de se dizer que em portugal há problemas de obesidade. Nada disso. O que há é gente muito culta, que passa muito tempo a estudar. E, como é sabido, ao estudar não é possível fazer desporto. Mas os músculos envolvidos na digestão estão livres, e portanto é possível comermos e estudarmos ao mesmo tempo. Portanto, é óbvio que somos um país de intelectuais. Alguém se opõe? Se sim, que veja quais os motivos que verdadeiramente mobilizam os portugueses: Nietzsche, Kant, discurso do método de Descartes, o Teeteto, etc... Não?

Enfim, hoje o discurso não correu muito mal, mas o ensaio fica por aí. Tenho o belo "Memorial do Convento" para estudar, e uma panóplia sentimental bastante elaborada à espera de ser libertada algures numa daquelas minhas orações tão complexas e tão sem pontuação que o próprio Saramago se sentirá dificultado em seguir sem perder o ideal inicial que motivou toda esta frase, e que o qual eu já esqueci. Ah, a minha "panóplia sentimental"... Seja ela o simples facto de recolher lágrimas que não minhas num ombro que é meu, até ao facto de correr atrás de quem me perseguiu, ou ainda de ver coisas que ainda não via... E agora faço contas de subtrair muito melhor, e já vejo diferenças onde não via... Ou via e não queria ver. Parece que me tornei numa versão masculina da Blimunda, e isso é muito mau. Mas não o pior, que o pior é que me doem as costas.

Friday, April 20, 2007

Vivo ou morto?

Estou cansado. Doem-me musculos que o meu conhecimento de anatomia não abrangia, e os olhos pesam-me. Infelizmente, o cérebro anda a 2000 km/h, não consigo adormecer. E se o conseguir, é certo que vou ter um sonho mais complexo que o próprio real, daquelas noites que apesar de se dormir 10horas, não se descansa nada. Ainda por cima com um hematoma no joelho e um tornozelo torcido, nem sequer posso ir buscar uma bela ceia para que o sono venha duma forma mais pacífica. Não, essas lesões não vieram duma sessão de pancada... Vieram de algo bem mais bruto e estúpido...

Torneio da escola. Sempre o ponto alto do ano escolar para quem vê a escola reduzida àquela elevação de relevo no canto oposto à entrada, vulgo, campo. No fundo, é o climax do ano lectivo para aqueles que pensam que ser leccionado não interessa. É o torneio da escola. Começou quando começava a chuva, acabou quando voltou a chuva. E nem sequer passou um ano, de tão estranho que anda o nosso tempo.
Aborrecimentos e marcas de outro tipo que não o psicológico foi o saldo. Ah, e um naco de metal baço que me parece ser o pagamento, quais gladiadores romanos que lutam com as feras, enfrentar outros humanos iludidos com a possibilidade de se tornarem semi-herois é algo que não se deseja a ninguém. E ainda assim, só recebi um naco de metal baço.

E hoje apareceste tu, mas tu não. E tu fazes falta, e tu também. E ao menos o sol do court 7 deu-me um tom (ou tão, segundo uma certa professora de português) mais moreno... E daí, nem moreno se pode chamar a isto. Digamos que a palidez típica de quem se segue pelas minhas metas desapareceu, e que o tom que agora tenho apenas espelha uma semana passada segundo o meu coração. E mesmo assim não o segui na sua totalidade, senão ainda estava preto... Preto e sem tornozelo, provavelmente! Mas o naco de metal baço ainda seria maior... Oh, bendito cérebro! Só tu te podes queixar dele, e ainda assim o elogias. E tu elogia-lo mais que ninguém. São tu's que, em conjunto com o outro tu, uns poucos de nós e os restantes eles, me formam a mim.


Friday, April 13, 2007

Crónica

Cronicar sobre coisa alguma não dá, portanto desta vez isto vai mesmo ter assunto (será?). Então iniciemos: no ranking das maiores vendas das livrarias, encontramos quatro "donos de livros" portugueses, em 6 enunciados. E porquê a expressão utilizada em vez do gramaticalmente correcto "autores" ou "escritores"? Pela simples razão de que o meu cérebro me impede de classificar como tal pessoas como a fidalguíssima Carolina Salgado e a incrivelmente interessante Fátima Lopes. Ao lado de incultos como Saramago ou José Eduardo dos Santos, essas belas mulheres previamente enunciadas são, sem qualquer dúvida, uns seres humanos superiores, logo, o nome "autor" ou "escritor" não se adapta. Algo como "super-hiper-mega-ri-fixes" seria mais adequado, utilizando uma expressão de um indivíduo também superior. Continuando...

Assim, decididamente, fico espantado com a capacidade intelectual dos portugueses, capazes de devorar leituras de tão alto gabarito como a daquelas duas senhoras (indubitavelmente, mais uma que outra). Será que começamos a optar por aqueles textos que nos identificam, como uma pátria culta, evoluída e adaptada às novas tendências? Assim parece.
Se continuar a procurar exemplos do gosto refinado nacionalista, certamente mais seres nititdamente "superiores" também mereceriam menção, como as boys-band (um conceito por si só já inovador) recentes ou um senhor com dupla Carreira, como exemplo musical. Ah, e claro, nunca esquecer que todos os portugueses realizam um grande teste a cada indivíduo que tenta cativar a sua atenção: nunca apreciam ninguém só por motivos de descendência! Veja-se a Carreira de cada um...
Posso assim congratular-me de pertencer a uma nação tão evoluída como esta. Aliás, até me começo a sentir mal... O meu nível pessoal de forma alguma me inclui neste leque de tão ilustres personagens! Sinto-me espanhol.




Decididamente gosto de libertar a minha má disposição sob a forma de crítica espontânea a tudo o que mexe e a tudo o que está quieto. Só se safam aqueles que não fazem nem uma nem outra, mas esses também nem merecem um cu duma palavra. Literalmente falando.
Sim, hoje é sexta feira 13. Superstições aceito, Deus nos salve delas, ó supremo senhor que tudo controlas... Mas ainda assim acho que estou numa forma fantástica: consigo fazer tudo o que quero num nível tão ridiculamente aceitável que me enojo do quão aceitável que sou. Brutal, não?

Quando for parar ao Magalhães Lemos, por favor levem-me o portátil na hora das visitas. Escrever ajuda-me. Ah, e não se esqueçam de pedir à enfermeira para me retirar o colete de forças, que com aquilo posto não deve dar muito jeito. Digo eu!

Saturday, December 30, 2006

Falho

Falho quando falo. E é porque falo que eu falho. Calado não conquistava tudo o que conquistei: a minha colecção de erros.
Tenho agora que resolver erros que criei.E o incrível disto tudo é que o meu maior erro foi criado não falando nem agindo, mas deixando-me guiar pelos impulsos. E agora quero remediar a situação, tendo de destruir aquilo onde guardei o meu erro, sem que ninguém, no entanto, entenda que o fiz propositadamente. Ja tentei abaná-lo até que comece a fazer ruidos, já estive parado a olhar para ele durante horas, e ainda não consegui desvendar o que fazer em seguida. Pô-lo debaixo de um autocarro não é certamente uma opção discreta, apesar de ser certamente bastante efectivo. É provável que tenha de optar por isso. Mas depois vou ter de gastar muito dinheiro a comprar um novo. Bem, mais vale uma batelada de massa do que meter-me numa alhada que nem bela merece como adjectivo. Se bem que isso implica mais umas mentiras, daquelas tao bem estruturadas que se tornam verdade para o seu criador...

E, aqui no meio de belas metáforas, tudo fica claro como àgua... Incrível como ninguém irá perceber.

Saturday, December 02, 2006

Febre

Estou febril. Sinto um calor que me invade, percorre-me dos pés à espinha e esvai-se algures pelo caminho. De seguida, volta o frio a que me ando a habituar. O efeito da aspirina passou, voltam os sintomas.

A minha aspirina é inacabável, mas a minha gripe tem mais formas do que as que seriam de esperar. Já nem ela gosta dela própria, já a aspirina está farta de atenuar os sintomas de tantas gripes de origem semelhante. São diferentes mas vêm todas do mesmo lado. Agora tem havido competição - muitos medicamentos por aí, e até os genéricos ajudam - mas aspirina so uma. Ácido acetilsalicílico, tantas vezes me ajudas.

Mas volta a gripe. E desta vez até ao cérebro assusta. Todo o corpo anda a fraquejar, e já são muitas aspirinas em vão. Não desisto, mas, e repito-me, ando-me a habituar a esta gripe, de tão confortável que ela é quando comparada com outras. Mas continua, ainda assim, a ser doença, logo quero-a fora. Mas até que gosto dela...

Veja-se: se conseguir, aspirinicamente ou não, livrar-me dela, tenho no máximo um mês ou dois de saúde plena (que nem tão plena é, pois despedidas, mesmo da gripe, custam sempre um bocadinho), e depois voltava a apanhar uma gripe daquelas que nos mandam pa cama. Não, que essas até têm um lado positivo. Era mais daquelas que nem nos come, nem nos deixa comer. Essas sim, chateiam.

E agora que faço? Tomo uma das tuas aspirinas, daquelas que, no meio de chás e maçãs cozidas, realmente resultam, ou opto por aceitar este tipo de gripe, e esperar passivamente que ela se vá desenvolvendo (essencialmente, crescendo) até que me apanhe por completo? Ou se calhar nunca me apanhará, antes descairá no esquecimento como tantas outras.

Que faço? Penso procurar médico que me aconselhe, ou então pergunto à embalagem. Sabe mais que muitos eruditos...

Wednesday, November 01, 2006

Oclusiva e fricativamente, eu.

Vou pairando pelo vento que sobrevoa uma rua perdida. Cada som distante é uma pancada que põe à prova o sentido de viver, numa miscelânea de batimentos cardíacos acelerados.
Batidas a pairar no vento que sobrevoa a rua encontrada. Já não sou eu, é apenas o que sinto. Cada sentimento coloca potentes questões, que criam suspiros desesperados.
Potencio duvidas que sobrevoam no vento das ruas desinteressantes. Leves, boiam nas badaladas dum sino posto de parte numa casa qualquer, esquecido por quem não merece lembrança.
Esqueço-me dos ventos que sobrevoaram as ruas todas. Vagueantes, os pensamentos pararam de me correr no sangue e estancaram a fuga das palavras, pousando nos becos criados.
Sangro a dor que sobrevoou o vento da rua suspirada. Fica parado o estudo ao canto, vem a vontade de escrever e volta vaiada, revolvendo num sentimento de culpa inquieta.
Ouço o cantar do vento que sobrevoa a rua onde estou. Qual delas é, não sei. Nem perdido a encontraria. De todas, muitas desinteressam-me mas nenhuma se identifica. Num suspiro, vejo a vida na rua a que pertenço, mas qual delas é, não sei. O vento levou o que disse, soprando suave ao ouvido e levando de leve o oclusivo de mim. Fico fricativo, não sabendo a rua para que me leva o vento. Pairo na rua onde estava.

Thursday, October 26, 2006

Ensaio sobre roubos de coisa nenhuma

Porque a vontade de escrever me assola, porque estudo e leio mas pouco crio, porque sei-o e não o sei, porque sabê-lo-ei quando quiser mas agora quero-o e não sei. Porque me auto-falacío a acreditar de que sou, porque crio entinemas em torno de mim mesmo, mas fujo do que sou. Porque pareço a sophia de mello, porque não dá para parar, porque isto é viciante, porque até fica bonito, porque estou cansado e não penso... Páro.

O vento vagueia lá fora...Leve, rompe num som sibilante, pesa e foge como chegou, boiando de árvore em árvore. Chove tão abundantemente como mente um advogado em dia de julgamento. Sim, está muito mau tempo.

Hoje não sou um humilde ladrão. Fico-me pelo humilde, já que nem força tenho para o ladrão. Cansa ser ladrão, ter de roubar aquilo que não é nosso, fugir e guardá-lo de todos os que tentam tirar-nos o que tanto custou roubar. Esses são verdadeiramente desrespeitadores, os "diabos do mundo". Não respeitar o meu árduo trabalho e esforço de roubo é imperdoável. Sim, ser ladrão é cansativo. Correr para um banco, assaltá-lo a correr, correr para casa, correr para esconder, correr para fugir, correr para desistir de correr e entregar-me a correr. Não, entregar-me não, antes denuncio outro que fez algo pior que eu, porque esses existem aos potes, eu sou um santo ladrão, entrego aos polícias todos os que piores que eu são, e os que não o são serão em tudo o que eu não sei sobre eles. É, cansa mesmo muito ser ladrão. Mas é recompensador.

Acabou o julgamento, a boia foi arrastada para outro lado... Como ajuda reconhecer que somos bons ladrões...

Saturday, October 14, 2006

Pateta Alegre

Look, it's Prince Ali!!!!

Vagueando pelas ruas (mas não ao som de low reed), em noites cuja definição é baseada em nevoeiros cerrados, acho que a essencia pessoana me vai invadindo aos poucos. A impossibilidade de se atingir felicidade e de pensar em simultâneo começa a parecer, aos poucos, um pouco mais longe. A dor de pensar, a nostalgia (e consequente prisão) de infância, e os restantes temas típicamente abordados por Pessoa e companhia, assemelham-se cada vez mais a actos meus. E fujo desse problema, sem sequer o considerar tal coisa.

The cave of wonders is proud to present.......

"The wonderful meaning of freedom & happiness"

Pois é. Há significados que pensamos conhecer tão bem que nem nos questionamos acerca dos mesmos. Evitando o sensacionalismo que seria questionar sobre o significado de "eu", "nós", "vida" ou o pior de todos, "amor", questiono o significado de duas palavrinhas em conjunto - liberdade e felicidade (tradução para leigos da língua de sua majestade). E aqui entra o já mencionado Fernando Pessoa, que diria certamente que uma pessoa nunca é livre, e que só é feliz quem não pensa. Logo uma pessoa livre, feliz e pensadora seria algo de utopicamente e estupidamente errado (fala-se em escritores e vem logo o Eça meter o nariz). Será?

Vá, digamos que não. Em simultâneo, realmente torna-se dificil pensar e ser feliz. Mas é possível uma pessoa com capacidades cognitivas assinaláveis, que de tanto o serem, seria capaz de parar de pensar para simplesmente usufruir do momento, rindo de forma saudável. E uma pessoa livre? Um livre pensador chegaria a esta conclusão rapidamente, mas uma pessoa livre será obrigatoriamente feliz? Nem por isso, visto que a liberdade por si só não traz felicidade. É apenas o que eu apelido de uma má condicionante -> sozinha não nos trás o fruto - a felicidade - mas sem ela não o podemos obter. Um entrave, vá...

Todo este desabafo para afastar de mim mesmo o mau olhado pessoano. Farto de temer que posso sofrer do mesmo mal desse "ortónimo heteronimado", precisava de provar a mim mesmo, por facto factual e escrita escrevida, que era capaz de passar incólume a tal drama.

Mas acrescento algo para todos os patetas alegres que bem conheço - que não pensem que ser inocente é mau. Vivam a vida como ela é - vivem mais do que aqueles que, como eu ou, ainda pior, como Pessoa, pensam demais.

Sim, isto também é para ti, sua bela pateta alegre...