Porque a vontade de escrever me assola, porque estudo e leio mas pouco crio, porque sei-o e não o sei, porque sabê-lo-ei quando quiser mas agora quero-o e não sei. Porque me auto-falacío a acreditar de que sou, porque crio entinemas em torno de mim mesmo, mas fujo do que sou. Porque pareço a sophia de mello, porque não dá para parar, porque isto é viciante, porque até fica bonito, porque estou cansado e não penso... Páro.
O vento vagueia lá fora...Leve, rompe num som sibilante, pesa e foge como chegou, boiando de árvore em árvore. Chove tão abundantemente como mente um advogado em dia de julgamento. Sim, está muito mau tempo.
Hoje não sou um humilde ladrão. Fico-me pelo humilde, já que nem força tenho para o ladrão. Cansa ser ladrão, ter de roubar aquilo que não é nosso, fugir e guardá-lo de todos os que tentam tirar-nos o que tanto custou roubar. Esses são verdadeiramente desrespeitadores, os "diabos do mundo". Não respeitar o meu árduo trabalho e esforço de roubo é imperdoável. Sim, ser ladrão é cansativo. Correr para um banco, assaltá-lo a correr, correr para casa, correr para esconder, correr para fugir, correr para desistir de correr e entregar-me a correr. Não, entregar-me não, antes denuncio outro que fez algo pior que eu, porque esses existem aos potes, eu sou um santo ladrão, entrego aos polícias todos os que piores que eu são, e os que não o são serão em tudo o que eu não sei sobre eles. É, cansa mesmo muito ser ladrão. Mas é recompensador.
Acabou o julgamento, a boia foi arrastada para outro lado... Como ajuda reconhecer que somos bons ladrões...
