Wednesday, November 01, 2006

Oclusiva e fricativamente, eu.

Vou pairando pelo vento que sobrevoa uma rua perdida. Cada som distante é uma pancada que põe à prova o sentido de viver, numa miscelânea de batimentos cardíacos acelerados.
Batidas a pairar no vento que sobrevoa a rua encontrada. Já não sou eu, é apenas o que sinto. Cada sentimento coloca potentes questões, que criam suspiros desesperados.
Potencio duvidas que sobrevoam no vento das ruas desinteressantes. Leves, boiam nas badaladas dum sino posto de parte numa casa qualquer, esquecido por quem não merece lembrança.
Esqueço-me dos ventos que sobrevoaram as ruas todas. Vagueantes, os pensamentos pararam de me correr no sangue e estancaram a fuga das palavras, pousando nos becos criados.
Sangro a dor que sobrevoou o vento da rua suspirada. Fica parado o estudo ao canto, vem a vontade de escrever e volta vaiada, revolvendo num sentimento de culpa inquieta.
Ouço o cantar do vento que sobrevoa a rua onde estou. Qual delas é, não sei. Nem perdido a encontraria. De todas, muitas desinteressam-me mas nenhuma se identifica. Num suspiro, vejo a vida na rua a que pertenço, mas qual delas é, não sei. O vento levou o que disse, soprando suave ao ouvido e levando de leve o oclusivo de mim. Fico fricativo, não sabendo a rua para que me leva o vento. Pairo na rua onde estava.